Olhos caldosos: uma análise pictórica das representações de pessoas negras no acervo do MABE (1930-1950)
DOI:
http://doi.org/10.5902/2357797591783Palavras-chave:
MABE, Identidade cultural, Pessoas racializadas, RetratosResumo
Este trabalho propõe uma análise pictórica das representações de pessoas negras nas obras dos pintores paraenses Antonieta Santos Feio (Vendedora de Cheiro, 1947, e Mendiga, 1951), Dahlia Déa (Preto Velho, 1936), Fernando Otero (Baiana, 1945) e José Girard (Meditação, 1933), pertencentes ao acervo exposto nas salas Waldemar da Costa e Armando Balloni do Museu de Arte de Belém (MABE). O recorte temporal (décadas de 1930 a 1950) permite investigar as transformações historiográficas e conjunturais da população negra no Pará pós-abolição, refletindo sobre como a arte participou da construção de imaginários sociais em um período marcado por políticas de identidade cultural hegemônicas. Metodologicamente, o estudo se ancora na História Social da Arte, dialogando com a Antropologia Visual e a História Cultural para explorar conceitos como identidade, racialização e poder simbólico. A hipótese central sustenta que essas obras expressam uma tipificação da figura negra, moldada por projetos estéticos e ideológicos que buscavam homogeneizar representações de sujeitos negros, alinhados a narrativas oficiais de nacionalidade. Além disso, o artigo discute as tensões entre tradição e modernidade no contexto belenense, onde a arte atuou tanto como instrumento de dominação – reforçando estereótipos – quanto de resistência, ao capturar nuances da agência negra. A análise revela ainda como esses retratos refletem contradições do período, como o apagamento de diversidades étnicas em prol de uma identidade unificada, mas também permitem recuperar traços de subjetividades marginalizadas. Por fim, o estudo ressalta a importância de revisitar tais obras para repensar críticas as narrativas artísticas consagradas e barulhos sociais que foram silenciados pela historiografia tradicional.
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