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<p>Letras é um periódico semestral, da área de Letras, publicado desde 1991 e editado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras, da Universidade Federal de Santa Maria. A partir do número 46, passou a integrar o Portal de Periódicos Eletrônicos da UFSM, por meio do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER). De periodicidade semestral, com um conselho editorial composto de acadêmicos brasileiros e estrangeiros, Letras tem priorizado a regularidade de sua publicação, a qualidade de seus textos e o apuro de sua edição, impressa e digital, sendo cada exemplar enviado para bibliotecas, programas de pós-graduação e universidades de todo o país.</p> <p><strong>eISSN 2176-1485 | Qualis/CAPES (2021-2024) = A4</strong></p>Universidade Federal de Santa Mariapt-BRLetras1519-3985Ficam concedidos a Letras todos os direitos autorais referentes aos trabalhos publicados. Os originais não devem ter sido publicados ou submetidos simultaneamente a outro periódico e não serão devolvidos. Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e não comerciais.Letras-55BET Pro
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<p>O artigo apresenta uma discussão sobre o funcionamento discursivo literário em obras produzidas por mulheres encarceradas, analisando, pela abordagem da Análise de Discurso Materialista, recortes da obra <em>Ela e a reclusão: o condenado poderia ser você, </em>de Vera Tereza de Jesus, e <em>Quem saberia perder, </em>de Gih Trajano. Embora com uma distância temporal significativa, as produções oportunizam um importante debate sobre a relação entre literatura, história e memória em relação com a narratividade. O impossível de “narrar-se a si mesmo” caracteriza a relação entre língua, história e memória.</p>Luciana Iost Vinhas
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2025-11-282025-11-2870e89086e8908610.5902/2176148589086Letras-55BET Pro
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<p>O presente artigo aborda como o discurso católico-cristão é presente na tessitura da construção narrativa do romance <em>As doenças do Brasil</em> (2022), de Valter Hugo Mãe. Para tal, utilizaremos as noções de formação ideológica, que, em nossa análise, entendemos como pertencente à colonizadora e de memória discursiva, com base em Pêcheux (2014) e Courtine (2022). Assim, ao se observar a relação do discurso colonizador com o enredo de Valter Hugo, foi possível perceber que a obra, desde os pré-escritos do texto fictício, aloca discursos tecidos sob a égide da colonização. Desse modo, foi-nos perceptível o modo como os dizeres animalizadores acerca da pessoa negra ressoam no grupo ficcionalizado – o povo abaeté – que, na narrativa, assim como personagem negro, opõe-se à colonização.</p>Elaine Pereira DarózRomero Lopes da Silva
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<p>Este texto analisa, sob a perspectiva da Análise de Discurso Materialista, como <em>Iracema</em> de José de Alencar articula literatura e língua (nacional) no Brasil do século XIX. Destaca ainda a (in) distinção entre literatura e ciência no discurso romântico que trabalha essa relação formalmente. A textualidade de <em>Iracema</em> é interpretada como um espaço de constituição de sentidos nacionalistas, onde o encontro entre indígenas e colonizadores é romantizado, atualizando a região da memória colonialista e apagando (deixando suspensa) a historicidade indígena. A análise explicita como este discurso determina o imaginário nacional, tensionando ficção, ciência e memória na produção de sentidos.</p>Élcio Aloisio FragosoCarlos Davis Barroso de Oliveira Júnior
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2025-11-282025-11-2870e90556e9055610.5902/2176148590556Letras-55BET Pro
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<p>O presente artigo analisa o funcionamento do silêncio na/pela formulação de Javier Marías na obra literária <em>Amanhã, na batalha, pensa em mim</em>. Para tal, a Análise de Discurso, de Pêcheux e Orlandi, foi mobilizada como fundamentação teórica. Ao cabo do estudo, observamos que os sentidos produzidos pela díade <em>contar </em>e <em>silenciar </em>evocam a memória dos mortos na Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e na ditadura do General Francisco Franco (1939-1975), memória esta que se atualiza no/pelo contraste com o período de desenvolvimento da trama, os anos finais do século XX.</p>Júlio César Martins SantosLuciana Nogueira
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2025-11-282025-11-2870e88024e8802410.5902/2176148588024Letras-55BET Pro
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<p>O artigo volta-se à circulação do discurso literário nas condições de produção do digital, considerando-se arquivos que reúnem textualidades associadas ao nome de autores canônicos e que são disponibilizadas para circular como frases de efeito. A perspectiva teórica e metodológica de fundamentação do trabalho é a Análise de Discurso. O ponto fulcral é a discussão da atribuição de autoria na perspectiva da filiação ao histórico de significações que singularizam o nome de um dado autor, assim como os efeitos produzidos na construção de uma dada memória coletiva da atualidade.</p>Taís da Silva MartinsVerli Petri da SilveiraLarissa Montagner Cervo
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2025-11-282025-11-2870e90181e9018110.5902/2176148590181Letras-55BET Pro
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<p>Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa de doutorado que investigou práticas e vivências relacionadas ao letramento literário em Libras (L1) e em português (L2), com base nas memórias de surdos sobre suas experiências de letramento literário na infância e na adolescência. O embasamento teórico está ancorado nos estudos surdos e no letramento literário. A pesquisa qualitativa, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas em Libras, envolveu nove participantes surdos sinalizantes, todos com experiência em práticas literárias. Atualmente, eles são agentes de letramento literário nas redes sociais e outros espaços. Os principais achados revelam que os espaços fundamentais de práticas literárias vivenciadas pelos surdos entrevistados foram o ambiente doméstico e a escola de surdos. Os participantes destacaram a relevância do apoio familiar, especialmente por meio de práticas como a mediação da leitura pelos pais e outros adultos e uso de materiais visuais como livros ilustrados e em quadrinhos. Nas escolas de surdos, a prioridade foi o contato com a Libras, com ênfase nas práticas de leituras e discussões mediadas nessa língua.</p>Tatiane Folchini dos ReisEdgar Roberto Kirchof
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<h3><span style="font-weight: 400;">Este artigo analisa aspectos como memória, identidade e pertencimento no romance de Conceição Evaristo, </span><em><span style="font-weight: 400;">Becos da Memória</span></em><span style="font-weight: 400;">. A autora utiliza a linguagem literária para entrelaçar memórias pessoais e coletivas, articulando-as com questões de pertencimento, identidade e espaço, especialmente no contexto de desfavelamento e marginalização urbana no Brasil dos anos 1980. Como embasamento teórico, são considerados os estudos, especialmente, de Gagnebin (2009), que discute a relação entre lembrar, escrever e esquecer; Martins (2021), que explora as "Afrografias da memória" e a importância das tradições culturais na preservação da memória; Monteiro (1988), que aborda as crises na geografia e suas implicações.</span></h3>Mariana da Silva SantosJuliano de Mesquita PinheiroMarilda Aparecida Lachovski de França
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2025-11-282025-11-2870e88787e8878710.5902/2176148588787Letras-55BET Pro
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<p><em>Lavoura Arcaica</em>, de Raduan Nassar, é um romance rico em lirismo e simbolismo, explorando o conflito entre gerações através da memória. André representa a memória lírica, resistente aos valores familiares, enquanto seu pai encarna uma memória pragmática, propagando ideologias tradicionalistas. O romance apresenta memória como dual e antitética, investigando suas manifestações, embates e efeitos. Quatro categorias de análise são criadas: aspectos formais e linguísticos, configuração familiar, memória geracional e intertextualidade. Estudos de Paul Paul Ricoeur (2003), Jacques Le Goff (1991) e Jeanne Gagnebin (2002) fundamentam a conceituação e problematização da memória.</p>Anderson Amaral de OliveiraJoão Pedro Wizniewsky Amaral
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<p>Diante da problemática que perpassa a compreensão sobre o governo autoritário no Brasil ocorrido entre os anos de 1964 e 1985, pautado no arcabouço teórico que norteia a relação entre Literatura, memória e história, exposto pelos estudiosos Walter Benjamin, Joël Candau, Eurídice Figueiredo, Seligman Silva e outros, o presente artigo tem o escopo de refletir sobre as estratégias narrativas do romance pós-moderno no trabalho contra o esquecimento da Ditadura Militar Brasileira, a partir da análise do romance <em>Azul Corvo</em>, de Adriana Lisboa. Além disso, também abordaremos a ideia do testemunho ante a mudez de quem experienciou uma guerrilha.</p>Lilian Rodrigues de Souza Oliveira
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2025-11-282025-11-2870e88212e8821210.5902/2176148588212Letras-55BET Pro
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<p>A violência contra os povos indígenas no Brasil começou antes do período de ditadura militar e está presente quase quatro décadas depois do seu fim. No entanto, esse padrão histórico não absolve os governos militares de terem intensificado as tensões entre brancos e indígenas. O testemunho de Davi Kopenawa, em <em>A queda do céu</em>, por exemplo, está permeado pelo trauma individual e coletivo, expressado mediante a representação do evento traumático, cuja função é o estabelecimento de significação para a vítima, e a manutenção da identidade do grupo. Com a análise desse testemunho, podemos mensurar seu caráter político e documental.</p>Claudia Luiza CaimiCamila Sauthier
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2025-11-282025-11-2870e87827e8782710.5902/2176148587827Letras-55BET Pro
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<p>O presente artigo tem como objetivo analisar o romance Órfãos do Eldorado (2008), de Milton Hatoum, tomando como chave de leitura as colonialidades do poder, do ser e do saber. Essas categorias são investigadas, sobretudo, por Aníbal Quijano (2005) e Ramón Grosfoguel (2008). No romance, existe a presença de marcas dos aditamentos coloniais no tratamento de personagens indígenas, tornando passíveis de problematização as práticas autoritárias, genocidas e epistemicidas às quais os povos tradicionais são acometidos ainda na contemporaneidade. Assim, a presente análise se volta para a interrogação das estandardizações coloniais dos indígenas que figuram no capitalismo como sistema-mundo.</p>Rayniere SousaDivanize Carbonieri
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<p>Este artigo tem como objetivo a análise da obra <em>A Gorda</em>, de Isabela Figueiredo (2016), focalizando a temática da memória. Examina-se a intrínseca relação entre a memória e o enredo narrativo, especialmente no que concerne à protagonista, que, em devaneios, permeados por agouros e prenúncios, revisita sua própria identidade, tanto corporal quanto íntima. Este estudo parte da interconexão entre a literatura e a memória, desvelando os percursos e as maneiras pelas quais essas áreas se entrelaçam para a análise da obra selecionada como <em>corpus</em> para esse artigo. Além disso, viabiliza a promoção do conhecimento interdisciplinar entre essas esferas.</p>Noah de Aguiar PinhoAltamir Botoso
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<h3><span style="font-weight: 400;">A analogia musical das primeiras versões do </span><em><span style="font-weight: 400;">Livro de Jade </span></em><span style="font-weight: 400;">(1867), </span><em><span style="font-weight: 400;">Variações de temas chineses, </span></em><span style="font-weight: 400;">serve de apoio no presente artigo para oferecermos hipóteses de leitura do livro. Percorrendo as reformulações operadas por Judith Gautier rumo à condensação, o objetivo seria flagrar não um processo de estabilização, mas a dinâmica de uma escrita constituída por modulações, sugestões e inconstância. Sob a influência de uma concepção do belo composto de um elemento eterno e outro transitório, esse primeiro é evocado a partir da memória ancestral da poesia chinesa e se concretiza na recuperação de motivos semelhantes a </span><em><span style="font-weight: 400;">leitmotive, </span></em><span style="font-weight: 400;">tornando seu livro um constante exercício de meditação e de memória.</span></h3>Ana Beatriz Farias Costa de BritoFrancine Fernandes Weiss Ricieri
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<p>Este artigo apresenta uma comparação de leituras de dois romances do gênero distopia/ficção científica, publicados na década de 1940: <em>Kallocaína</em>, de Karin Boye, e <em>1984</em>, de George Orwell, os quais apresentam personagens descrevendo suas reações e experiências em cenários totalitários. Com base no referencial teórico oferecido pelos trabalhos de Ricoeur (2007), Barthes (2013) e Chauvin (2024), desenvolvemos esta leitura seguindo o mote central nas duas narrativas: o papel da memória.</p>Mônica StefaniAmanda da Silva Oliveira
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<p>Para a epistemologia feminista, o sujeito do conhecimento deve ser considerado como efeito das determinações culturais, inserido em um campo complexo de relações sociais, sexuais e étnicas. Os critérios de objetividade e neutralidade que garantiram a veracidade do conhecimento caem por terra no momento em que se incorpora um modo feminista de pensar, assumindo as dimensões subjetiva, emotiva e intuitiva do conhecimento e dos respectivos processos de sua produção. Essa ruptura nos instiga a explorar outras trilhas conceituais e metodológicas, cujas reflexões possam contribuir para evidenciar o interesse e a eficácia de aportes pluridisciplinares que favoreçam novas condições equitativas de gênero à produção do conhecimento científico, integrando as diversas reflexões e experiências femininas com vistas a produzir um conhecimento mais compartilhado em relação às alteridades e a realidade social.</p>Anselmo Peres AlósDileane Fagundes de Oliveira
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Andrea do Roccio SoutoEdgar Roberto KirchofTais da Silva Martins
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