Formação técnica e humanismo: as virtudes intelectuais da receptividade e do pensamento crítico no ensino médio
DOI:
http://doi.org/10.5902/2448065794173Palavras-chave:
Virtudes Intelectuais, Educação Profissional, Pensamento Crítico, Receptividade, Formação HumanistaResumo
O artigo investiga o papel das virtudes intelectuais da receptividade e do pensamento crítico na formação humanista, na Educação Profissional, com foco nos Institutos Federais (IFs) brasileiros. O objetivo é compreender como essas virtudes podem fortalecer a missão dos IFs de integrar a formação técnica com valores éticos, sociais e ambientais, superando a lógica mercantilista. Utilizando uma abordagem teórico-reflexiva, de caráter interdisciplinar, o estudo se apoia em autores como Slote (2013), Baehr (2011), Nussbaum (2015) e Slaby (2023, 2024), discutindo as limitações da racionalidade técnica quando dissociada da sensibilidade afetiva. A pesquisa é dividida em duas partes: a primeira, analisa os desafios da Educação Profissional e sua possível desconexão com os ideais humanistas; a segunda, discute as virtudes intelectuais sob a ótica da epistemologia responsabilista, defendendo a articulação entre pensamento crítico e receptividade, como eixo formativo essencial para a prática pedagógica. A apatia estrutural, conceito central em Slaby (2023), é tomada como sintoma da desumanização promovida por estruturas sociais insensíveis às crises atuais. Os resultados indicam que essas virtudes, quando cultivadas de forma integrada, podem promover práticas pedagógicas críticas, colaborativas e sensíveis às questões sociais e ambientais contemporâneas. A conclusão destaca que, embora o estudo não inclua a investigação empírica, ele oferece os fundamentos para as futuras pesquisas e práticas pedagógicas, sugerindo que a receptividade pode ser uma virtude inovadora e transformadora, no combate à apatia estrutural e à alienação afetiva em contexto educacional.
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