Travessias da temporalidade e cartografias da saúde mental: bidirecionalidade do cuidado na docência
DOI:
http://doi.org/10.5902/1984644495596Palavras-chave:
Cartografia; Docência; Educação Infantil; Saúde Mental;Temporalidades.Resumo
Este artigo propõe compreender a docência na Educação Infantil como uma travessia pela temporalidade do espaço educativo, tomando o filme Interestelar (2014), obra relevante da ficção científica, como metáfora e operador analítico para pensar as narrativas de professoras acerca do cotidiano escolar, das temporalidades do ensinar, dos afetos e das implicações desse trabalho para a saúde mental docente. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de inspiração cartográfica, realizada a partir de entrevistas semiestruturadas com dez professoras atuantes na Educação Infantil. A análise do material empírico foi orientada pela análise textual discursiva, articulando os movimentos de unitarização, categorização e comunicação, em diálogo com uma escrita poético-reflexiva. Os resultados evidenciam que o trabalho docente se constitui na tessitura entre fazer e sentir, revelando o tempo da docência como relativo e atravessado por improvisos, vínculos afetivos e práticas de cuidado que se estabelecem de modo bidirecional entre professoras e crianças, sustentando aprendizagens, modos de permanecer no trabalho e processos de saúde mental no cotidiano da Educação Infantil. Conclui-se que a cartografia das narrativas permitiu mapear essas travessias, afirmando a docência na Educação Infantil como prática ética, política e produtora de sentidos para o cuidado e a saúde mental das professoras.
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